Unasp-SP reúne pesquisadores para discutir relação entre religiosidade e saúde

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A influência da espiritualidade na saúde é tão real ao ponto de despertar a cada vez mais o interesse da comunidade acadêmica e científica. No dia 11 de setembro de 2017, o Mestrado Profissional em Promoção da Saúde do Unasp campus São Paulo, realizou a segunda edição do Simpósio Internacional de Religiosidade e Espiritualidade na Integralidade da Saúde. “O objetivo é evidenciar a importância da religiosidade e espiritualidade na integralidade do ser humano e proporcionar um espaço para diálogo e reflexão crítica sobre a temática, abrangendo as diversas áreas de ensino”, explicou a professora Dyrce Meira, organizadora do simpósio.

Na abertura da programação o Chanceler do Unasp, Euler Bahia, enfatizou que a relação entre religiosidade e a saúde está cada vez mais presente nas publicações científicas em todo o mundo. Sendo que o Brasil é considerado o quinto maior produtor de publicações nesta área. “Nós identificamos, para nossa felicidade, que nas últimas décadas tem crescido o volume de produção acadêmica e científica em relação ao tema de o quanto a espiritualidade afeta a vida e a saúde. Mais de 30 mil artigos na TopMed estão catalogados onde se destaca o aspecto religioso com alguma conexão com a saúde. Estima-se que hoje cerca de 7 artigos de ponta estão sendo produzidos e colocados diariamente nos grandes periódicos acadêmicos que tratam dessa temática”, enfatizou.

O simpósio trouxe ao Unasp, pesquisadores de universidades públicas nacionais e de universidades internacionais de referência nas pesquisas em saúde. Como o renomado doutor Harold Koenig da Duke University (EUA). Reconhecido como a principal referência no assunto, em uma videoconferência, falou justamente sobre as Tendências das Pesquisas sobre Religiosidade e Espiritualidade para a Saúde Integral. Destacando entre diversas coisas, a contribuição da espiritualidade na longevidade e a influência da religião na vida e na saúde das pessoas.

Livre docente em Epistemologia e Didática e professor titular sênior da Universidade de São Paulo (USP), Nilson Machado, tem sido grande defensor e expositor da importância de estudos com essa temática na academia. Ao falar sobre epistemologia e a natureza do ser humano, enfatizou que não é possível tratar dos sujeitos sem levar em consideração as subjetividades desses sujeitos. O que incluem suas crenças, sua espiritualidade e religiosidade. Em um contexto que traz situações como, por exemplo, casos cada vez mais frequentes de suicido, inclusive, entre estudantes de Medicina, defendeu que quanto mais o ser humano for considerado em sua integralidade, mais conhecimento científico será produzido e mais a vida terá sentido.

“A integralidade na educação é integralidade do corpo, da alma, da mente, e das duas dimensões: da razão e do sentimento. Nós somos indivisíveis, uma coisa inteira. Não dá para excluir a razão do sentimento, a ciência da religião. Eu acho que um evento como esse é importante no grupo desses eventos que registram a insuficiência de se pensar exclusivamente na parte biológica e animal do ser humano, mas sim procura promover o pensar a pessoa inteira nessa dimensão espiritual”, refletiu Machado.

Apesar de o Brasil ter progredido nas pesquisas a respeito deste assunto, ainda há muito para crescer na prática da compreensão de que o ser humano necessita ser compreendido em uma esfera integral onde cada uma das partes dependem umas das outras. Concordando com os pontos defendidos por Machado, Nildo Alves Batista, livre docente em Educação Médica pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e sendo outro grande expositor deste assunto na comunidade científica, acrescenta que ainda há muito o que avançar na prática e compreensão desta visão no Brasil.

“Precisamos avançar na questão de incorporar as duas variáveis, espiritualidade e religiosidade, entendendo que existem diferenças entre elas, mas incorporar em todos os momentos em que estamos com o potencial de ensinar. Não só nas salas de aula, mas também no ensino com o cidadão. Se eu quero preparar um profissional para a saúde, entender de que para além, do corpo físico, do corpo psíquico ela é totalmente dependente também de pontos como o ambiente e como o próprio bem-estar espiritual. As pesquisas são claras em que mostram a relação positiva entre o bem-estar espiritual e o próprio estado de saúde. Então isso, eu acho que vai além de preparar profissionais para a área. Entra numa discussão nossa como cidadão”, enfatizou.

Os participantes do simpósio tiveram acesso a uma diversidade de oficinas com diferentes especialidades atendendo tanto profissionais, acadêmicos e estudantes de áreas como saúde e educação. Entre esse grupo estava a doutoranda na área de Cooping Religioso na USP, a psicóloga e teóloga, Mônica Huang. “Eu gostei muito de vir. Acredito que abre muitas reflexões pertinentes e é bom sempre incentivar e divulgar eventos como esse, pois há muitas pessoas interessadas”, disse acrescentando a importância de estudar essas questões considerando a diversidade religiosa que há no Brasil.

“Percebemos que o público, apesar de diversificado, pôde apreender as evidências científicas da associação entre Religiosidade, Espiritualidade e a saúde física e mental, amplamente demonstradas por pesquisadores renomados na área. Cremos que a principal expectativa do mestrado e do grupo de estudos Religiosidade e Espiritualidade na Integralidade da Saúde seja a de conduzir pesquisas mais robustas, criteriosas e abrangentes, promovendo novos eventos na área”, descreveu a professora Dyrce.

A respeito da continuidade do assunto deste simpósio nas atividades, eventos e pesquisas promovidas pelo mestrado em Promoção da Saúde do Unasp, a organizadora enfatiza a importância desse simpósio para reforçar a missão da Igreja Adventista e do Unasp na saúde e no ensino. “O evento confere identidade à nossa filosofia educacional que é cristocêntrica, isto é, cremos que sob a orientação do Espírito Santo, o caráter e os propósitos de Deus podem ser compreendidos como revelado na natureza, na Bíblia e na pessoa de Jesus Cristo. Além disso, cumpre a missão do Unasp que é educar no contexto dos valores bíblico-cristãos para o viver pleno e para a excelência no servir”, conclui.

Por Murilo Pereira