Fórum discutiu questões étnico-culturais e lançou livro sobre temática na educação

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No mês de agosto, causou espanto o volume de manifestações racistas e discriminatórias nas redes sociais por parte de pessoas insatisfeitas com o fato de a miss Brasil 2017 ser uma mulher negra. A representante do estado do Piauí, Monalysa Alcântara, sofreu ofensas devido à sua identidade racial. Mesmo o fato de ser crime não impediu tais pessoas de expressarem comportamento racista e condenável através de seus perfis em sites como o Facebook, por exemplo. O episódio, entre tantos outros semelhantes, alerta para a urgência de iniciativas e medidas que chamem a atenção para o racismo e que também promovam a igualdade e os direitos entre todos. Neste mesmo mês, no dia 27, aconteceu no Unasp campus São Paulo, a sétima edição do Fórum para Questões Afro-Indígenas na Contemporaneidade.

O fórum tem por objetivo contribuir para o fortalecimento da consciência para a compreensão da diversidade étnica-racial e também para os direitos da população negra e indígena no país através da discussão e o incentivo à pesquisa dentro do ambiente universitário.

Nesta edição do fórum, a programação abordou a educação a respeito dos povos indígenas e os desafios quanto a implementação da lei 11.645/08, que regulamenta a obrigatoriedade do Ensino da História e Cultura Afro-brasileira e Indígena em todos os níveis de ensino. “Grande parte da população indígena sofre um problema muito sério com relação à retirada dos seus direitos. Grande parte dessa população tem sido retirada dos seus territórios tradicionais e é de extrema importância essa discussão, neste momento. Eu vejo que a população não indígena precisa conhecer um pouco mais sobre a cultura, sobre as formas de pensar, os modos de sobrevivência e a violência praticada contra a população indígena. Essas discussões que o fórum está proporcionando trarão nova visão sobre essa luta, sobre essa necessidade de permanência”, esclareceu o palestrante Emerson de Oliveira Sousa, de origem Guarani, é sociólogo, professor e defensor dos interesses e direitos da comunidade indígena.

Na temática das questões raciais no Brasil, foi apresentada uma análise comparativa de experiências de africanos e brasileiros negros feita por Issaka Mainassara Bano, formado em relações internacionais e mestrando em Sociologia da Educação pela Unicamp.

Sobre os desafios e as lutas da mulher negra na sociedade brasileira, o fórum recebeu a Stephanie Ribeiro, arquiteta e colunista da Revista Marie Claire. “Acho que é muito importante discutir nas universidades a questão do racismo e as pessoas que são socialmente prejudicadas por ele terem espaço de voz e falarem sobre isso. É preciso desnaturalizar o que a gente passa nesta sociedade. Esse é o papel das universidades. Ser negra na sociedade brasileira precisa ser mais discutido e discutir isso em uma universidade que têm várias alunas negras é mais importante ainda”, enfatizou a convidada.

“Essas questões envolvendo o enfrentamento do racismo, a valorização e respeito à diversidade étnica e cultural não se resolvem apenas com ações pontuais e ou datas comemorativas”, enfatizou a organizadora do Fórum, doutora Romilda Motta.

Como em todas as edições, o evento conta com a expressão cultural através de alunos e artistas que já são parceiros do fórum. Neste ano, o grupo vocal African Melody, quarteto formado por universitárias angolanas do Unasp-SP, cantou na abertura e no encerramento do fórum. O artista plástico, Isidro Sanene, expôs suas obras e telas que fazem parte de seu trabalho intitulado “Camadas de Nossa Gente”.

Quem esteve na sétima edição do Fórum Para Questões Afro-Indígena na Contemporaneidade também prestigiou o lançamento do livro Diversidade Étnico-racial: discutindo conceitos, tecendo reflexões e possibilidades para uma educação inclusiva e cidadã. Organizado pela professora Romilda Motta e pela diretora de graduação do Unasp-SP, doutora Silvia Quadros, o livro publicado pela Imprensa Universitária Adventista, Unaspress, está disponível gratuitamente no formato e-book

“A leitura dessa obra permitirá aos leitores, especialmente educadores, adquirir sensibilização em relação à temática da educação para as relações étnico-raciais e ampliará o conhecimento relacionado a uma série de questões conceituais. O objetivo foi trazer ao leitor um repensar sobre o papel da comunidade acadêmica, ao se ver diante de situações e temas que merecem conhecimentos e reflexões mais profundas do que as que circulam no contexto do senso comum”, explica Romilda.

Por Murilo Pereira