Culto da Mata comemora 26 anos com inauguração do Templo Verde

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Fogos de artifício brilharam no céu do bairro Capão Redondo, na Zona Sul de São Paulo, rompendo o silêncio da madrugada. Eram 4h45 do dia 18 de setembro de 2016 e cerca 1,5 mil pessoas já estavam reunidas em frente ao bosque do Unasp, campus São Paulo, cantando hinos tradicionais do Hinário Adventista do Sétimo Dia. A cena se repete a cada manhã de domingo há mais de duas décadas. Porém, nessa ocasião teve caráter comemorativo. Além da celebração alusiva os 26 anos do Culto da Mata, foi inaugurada uma estrutura que servirá de púlpito para os pregadores.

No espaço rústico, erguido com madeira e coberto com telhado de sapê, há iluminação para que os fiéis possam enxergar melhor quem está dirigindo a programação. Tomadas e estrutura elétrica possibilitarão que as mensagens musicais e pregações sejam ouvidas por todos. A construção se harmoniza perfeitamente com a natureza do ambiente. O pedacinho de Mata Atlântica preserva uma diversidade de plantas, árvores, aves e pequenos mamíferos. É uma das duas únicas áreas verdes que restaram em um dos bairros mais populosos e cinzas da capital paulista. No meio de toda a vegetação, encontra-se um espaço cujo piso é forrado por folhas secas e o teto coberto pela copa das árvores. A semelhança com a nave de uma igreja justifica o título de “Templo Verde”.

Tudo teve início no começo dos anos 1990 quando o pastor Humberto Moura, na época preceptor dos rapazes no então Instituto Adventista de Ensino (IAE), reuniu-se com mais 12 alunos para orar de madrugada no bosque. O doutor Wilson Rossi, que frequenta e ajuda a liderar o Culto da Mata desde que a iniciativa teve início, conta que naqueles primeiros dias muitos não compreenderam ou aceitaram esse tipo de reunião. “Mas a prova que isso é de Deus está nos milagres que tem acontecido aqui”, enfatiza.

Testemunho

Alexandre Ferreira de Souza, corretor de seguros, é um dos que afirmam ter recebido milagres em resposta às orações feitas durante os cultos no bosque. Ele relata que, quando sua filha nasceu, os médicos afirmaram que a criança tinha síndrome de Down. Abalado, o pai orou por essa situação no Culto da Mata. Pouco tempo depois, ao verem o resultado do exame conhecido como Teste do Pezinho, os médicos se surpreenderam com a ausência do problema. Segundo Alexandre, até as características físicas da síndrome desapareceram do bebê.

“Durante um Culto da Mata, ajoelhei-me para orar e veio uma pessoa que eu nunca tinha visto. Ela pediu permissão para orar comigo. Na oração, eu só agradeci pela família. Quando levantei, ela colocou a mão no meu ombro e me disse: ‘Não tenha dúvida, o que aconteceu na vida da sua filha foi um milagre’. Tivemos a oportunidade de compartilhar esse testemunho no Culto da Mata. Hoje, com 10 anos de idade, a Luiza é uma criança saudável que estuda no Unasp e canta na igreja. Eu tenho certeza de que foi um milagre!”, acredita.

O autor do devocional Um Olhar Para o Céu, lido diariamente a cada manhã por milhares de pessoas em todo o Brasil, e redator-chefe da Casa Publicadora Brasileira, pastor Marcos De Benedicto, considera que buscar a Deus de madrugada é um símbolo da dependência que temos dele. “Somos totalmente dependentes de Deus em 100% do tempo. É muito importante buscarmos a Deus de madrugada porque isso mostra que estamos dispostos a colocá-Lo em primeiro lugar. Além disso, nossa mente também está mais tranquila e mais calma para buscar ao Senhor”, argumenta o pastor que foi convidado para falar no culto comemorativo.

Reconhecendo o significado que as orações feitas nesse espaço tem para a a vida espiritual das pessoas e a missão da igreja, os pastores Erton Köhler, líder sul-americano da denominação, Domingos Souza, presidente da igreja no Estado de São Paulo, e José Carlos de Lima, diretor-geral da CPB, enviaram mensagens em vídeo parabenizando os organizadores do Culto da Mata.

Outro momento marcante da programação foi a apresentação dos corais Acasp, regido pelo maestro Flávio Garcia, e Carlos Gomes, dirigido pelo maestro Turíbio de Burgo.

Para Adolfo Tito, pastor responsável pela igreja que se reúne semanalmente no “Templo Verde”, esse é o melhor momento de seu ministério. Desde que se

aposentou, ele passou a dedicar-se à iniciativa no campus do Unasp. “Considero que esses 26 anos em que fiquei incumbido dessa grande responsabilidade foram os mais significativos da minha trajetória pastoral. Também tenho certeza de que Deus me dará saúde para poder fazer muito mais por esse projeto e ver milagres ainda maiores acontecerem na vida das pessoas que participam do Culto da Mata”, enfatiza.

Por Murilo Pereira